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Geoprocessamento: estudos de uso e cobertura da terra por meio do projeto Mapbiomas

9 nov 2018

Geoprocessamento: estudos de uso e cobertura da terra por meio do projeto Mapbiomas

Quem trabalha com geoprocessamento e, muitas vezes, tem por objetivo desenvolver estudos de avaliação temporal da evolução do uso e ocupação da terra para uma determinada região sabe como é difícil encontrar bons resultados e ainda confiáveis.

Em parte, a qualidade do trabalho pode ser influenciada pela a disponibilidade de imagens de satélites e, muitas delas, podem apresentar uma elevada presença de nuvens, o que dificulta ainda mais o processo, seja na própria classificação da imagem ou no tratamento pós-classificação. Além disso, as imagens de satélites precisam passar por algumas edições antes mesmo da realização da classificação de uso e ocupação da terra, a exemplo das imagens do Satélite Landsat que precisam, em determinados casos, serem equalizadas para que cada cena selecionada passe a apresentar a mesma coloração ou mesma tonalidades de pixels.

Pode-se dizer, também, que é um pouco complicado definir assinaturas espectrais ou pixels de uma forma homogênea e conseguir boas estatísticas, sendo necessários realizar o processo de classificação de uso e ocupação da terra para um único ano algumas vezes até obter um resultado dito satisfatório.

No entanto, uma alternativa para evitar todo esse procedimento e obter dados importantes de evolução temporal de uso e ocupação da terra é a utilização de dados oriundos do Mapbiomas, que é um projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil.

O projeto consiste em uma iniciativa que envolve uma rede colaborativa com especialistas nos biomas, usos da terra, sensoriamento remoto, SIG e ciência da computação que utiliza processamento em nuvem e classificadores automatizados desenvolvidos e operados a partir da plataforma Google Earth Engine para gerar uma série histórica de mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil (Mapbiomas, 2018).

O projeto nasceu no ano 2015 graças aos especialistas em sensoriamento remoto e mapeamento de vegetação que se reuniram em São Paulo a convite do SEEG/OC para responder à seguinte pergunta:

“É possível produzir mapas anuais de cobertura e uso do solo para todo o Brasil de forma significativamente mais barata, rápida e atualizada, comparativamente aos métodos e práticas atuais, e que possibilitem recuperar o histórico das últimas décadas? (Mapbiomas,2018) ”.

E a resposta para esta indagação foi:

Sim, “desde que houvesse uma capacidade de processamento sem precedentes e um alto grau de automatização do processo, além da participação de uma comunidade de especialistas em cada bioma e temas transversais”.

A partir de então, o site do projeto Mapbiomas passou a disponibilizar informações e dados de uso e ocupação da terra para todo o território brasileira a partir do ano de 1985 até os dias hoje (Figura 1). Essas informações são disponibilizadas de forma gratuita, podendo ser obtidas facilmente. Sendo necessário apenas realizar alguns processos simples em qualquer software de Sistema de Informação Geográfica (SIG) para unir a tabela de atributos ao mapa após o download do mesmo. A classificação de uso e ocupação da terra desenvolvida pelo projeto Mapbiomas é realizada a partir de imagens de Satélite Landsat.

Figura 1: Site mapa biomas com mapa de uso e ocupação da terra para Distrito Federal no 2013

Além dos mapas, ainda é possível obter uma série de informações, tais como: estatísticas da classificação, dados numéricos referentes ao tamanho da área ocupada por cada classe, gráficos (Figura 2), matrizes de transição e dados referentes a transição de uso e ocupação da terra.

Figura 2: Evolução temporal de uso e ocupação da terra para todo território brasileiro do ano de 1985 a0 2017

Os mapas oriundos do projeto Mapbiomas podem servir de base para estudos geográficos, demográficos, modelagem hidrológicas, entre outros. Contudo, ainda é preciso avaliar as informações apresentadas para definir, de fato, se elas estão condizentes com a realidade da área a ser trabalhada ou estudada. De todo modo, o projeto apresenta dados de grande valia de uso e ocupação da terra que pode facilitar e auxiliar diversos estudos, além de facilita a vida de muitos profissionais da área do geoprocessamento.

Vagner Felix

 Doutorando em Engenharia Civil com ênfase em Recursos Hídricos, bacharel em Ecologia e Sócio-diretor do Instituto Eidos.

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