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Descrição

Com o frequente surgimento de novas tecnologias na saúde, envelhecimento populacional e aumento dos custos financeiros, a Saúde Baseada em Evidências surge como uma área que busca avaliar as melhores opções clínicas e economizar recursos econômicos.

 Esse tema é de suma importância para profissionais de saúde que necessitam saber como avaliar e recomentar as melhores intervenções para seus pacientes, sendo para isso necessário saber onde e como identificar as melhores evidências científicas.  Junto com esses profissionais, economistas, estatísticos e gestores da saúde, necessitam adquirir conhecimento dessa área para compreensão e condução de estudos que visem recomendar, por meio de protocolos ou regulamentações, as opções terapêuticas mais viáveis (efetivas, seguras e/ou custo-efetivas) para prática clínica.

Objetivo Geral

O principal objetivo deste curso é capacitar os profissionais da área de saúde, estatísticos, economistas e gestores da saúde, na temática da Saúde Baseada em Evidências. Com o conhecimento obtido das aulas, os alunos poderão compreender melhor os conceitos e iniciar a elaboração de estudos de revisões sistemáticas, meta-análises e análises econômicas.

Ementa

  1. Saúde Baseada em Evidências
  2. Revisão sistemática
  3. Meta-análises
  4. Aulas práticas
  5. Economia em Saúde e análises econômica

Conteúdo Programático

MÓDULO 01- Saúde baseada em evidências e revisão sistemática

Aula 01 – Saúde baseada em evidências

  • Saúde Baseado em Evidências
  • Estudos primários x Estudos secundários

Aula 02 – Revisão sistemática

  • Etapas para condução de uma revisão sistemática
  • Avaliação da qualidade metodológica

Aula 03 – Aula prática: Bases de dados e software Mendeley

  • Busca nas bases de dados Pubmed, Scopus e Web of Science
  • Gerenciador de referências: Mendeley

Avaliação do Módulo 01      

  • Avaliação constituída por cinco questões múltipla escolha onde cada questão possui uma alternativa correta e três erradas. O tempo total para a realização dessa avaliação é de 30 minutos.
MÓDULO 02 – Meta-análises

Aula 01 – Conceitos e Meta-análises

  • Conceitos estatísticos
  • Meta-análises tradicionais (diretas)
  • Meta-análises indiretas e mistas (em rede)
  • Softwares para condução de meta-análises

Aula 02 – Aula prática: Uso do software Review Manager (meta-análise direta)

  • Review Manager: principais funções e comandos
  • Como conduzir uma meta-análise direta no software Review Manager
  • Avaliação da qualidade metodológica (Cochrane)

Aula 03 – Aula prática: Uso do software Addis  (meta-análise em rede)

  • Addis: principais funções e comandos
  • Como conduzir uma meta-análise em rede no software Addis
  • Considerações finais

Avaliação do Módulo 02      

  • Avaliação constituída por cinco questões múltipla escolha onde cada questão possui uma alternativa correta e três erradas. O tempo total para a realização dessa avaliação é de 30 minutos.
MÓDULO 03  – Economia em saúde

Aula 01 –  Introdução a economia em saúde e tipos de avaliações econômica em saúde

  • Conceitos básicos: custos, horizonte temporal, taxa de desconto e outros.
  • Tipos de análises econômicas: custo-efetividade, custo-utilidade, custo-minimização e custo-benefício
  • Modelagem: modelo de Markov e árvore de decisão

Avaliação do Módulo 03      

  • Avaliação constituída por cinco questões múltipla escolha onde cada questão possui uma alternativa correta e três erradas. O tempo total para a realização dessa avaliação é de 30 minutos.
AVALIAÇÃO FINAL
  • Avaliação constituída por dez questões múltipla escolha onde cada questão possui uma alternativa correta e três erradas. O tempo total para a realização dessa avaliação é de 60 minutos.

Instruções do Curso

  • O curso é composto por módulos e em cada módulo o aluno irá encontrar uma videoaula e, logo abaixo do vídeo, será apresenta resumo e disponibilizado o material didático textual referente a aula;
  • Para cada módulo existe um simulado de fixação com questões objetivas ou de múltipla escolha, na qual o aluno deverá acertar 60% das questões para estar apto a seguir para próximo módulo do curso. Tendo o aluno o limite de 30 (trinta) minutos para concluir o simulado. A pontuação adquirida no respectivo simulado pode ser conferida no perfil do aluno;
  • No final do curso existe uma avaliação final com 10 (dez) questões objetivas. Para conseguir a aprovação no curso e, consequentemente o certificado, o aluno deverá acertar 60% das questões. A pontuação adquirida na respectiva avaliação pode ser conferida no perfil do aluno.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde – Secretaria de Ciência teIe. Diretrizes Metodológicas : estudos de avaliação econômica de tecnologias em saúde. Brasília – DF, 2009.

HIGGINS, J.P.T.; GREEN S. Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions Version 5.1.0 [updated March 2011]. The Cochrane Collaboration, 2011.

HOCHMAN, B.; NAHAS, F. X.; OLIVEIRA FILHO, R. S.; FERREIRA, L. M. Desenhos de pesquisa. Acta Cir. Bras., São Paulo, v. 20, supl. 2, p. 2-9, 2005.

JANSEN, J. P.; CRAWFORD, B.; BERGMAN, G.; STAM, WBayesian meta-analysis of multiple treatment comparisons: an introduction to mixed treatment comparisons. Value Health, v. 11, n. 5, p.956-964, 2008.

JANSEN, J. P.; NACI, H. Is network meta-analysis as valid as standard pairwise meta-analysis? It all depends on the distribution of effect modifiers. BMC, v. 11, n. 159, p.1-8, 2013.

LIBERATI, A.; ALTMAN, D.G.; TETZLAFF, J.; MULROW, C.; GOTZSCHE, P.C.;IOANNIDIS, J. P. A.; CLARKE, M.; DEVEREAUX, P. J.; KLEIJNEN, J.; MOHER, DThe PRISMA statement for reporting systematic reviews and meta-analyses of studies that evaluate healthcare interventions: explanation and elaboration. British Medical Journal, v. 339, p. b2700, 2009.

SONNENBERG, F. A., BECK, J. R. Markov models in medical decision making: a practical guide. Med Decis Making. V. 13, n. 4, p. 322-38, 1993.

Módulo 1Saúde baseada em evidências e revisão sistemática
Aula 1Saúde baseada em evidênciasVisualizar Gratuitamente

 

Introdução

Neste primeiro módulo iremos abordar a temática da saúde baseada em evidências. Também vamos entender quais são os principais tipos de estudos, as diferenças entre estudos primários e secundários.

1 – Saúde baseada em evidências

Você já se perguntou como os protocolos clínicos são elaborados? Vamos citar um exemplo prático: como foi elaborado o protocolo clínico para tratamento da hipertensão? A resposta dessa pergunta com certeza envolve o tema de nossa aula: a saúde baseada em evidências. Muito provavelmente para construção desse material, os maiores especialistas da área fizeram uma pesquisa rigorosa das melhores evidências clínicas sobre o tratamento da hipertensão, ou seja, as suas ações foram baseadas pelos estudos existentes.

Isso também é o que acontece na grande maioria das situações na saúde. A tomada de decisão nas diversas áreas clínicas, a aprovação pelo governo de medicamentos, equipamentos e programas em saúde, tudo isso é construído com base no que de melhor existe em evidências que comprovem a viabilidade dessas situações. Não é comum que na saúde, uma ação clínica seja determinada apenas pelo conhecimento e experiência pessoal e profissional. Isto até pode acontecer, sendo mais recorrente em situações onde não existem evidências cientificas anteriores, como doenças raras.

A saúde baseada em evidências (SBE), nome descendente do inglês Evidence-based medicine, também é conhecida como medicina baseada em evidências (MBE). Avaliação de tecnologia em saúde é um outro conceito usado para designar essa área. Nos últimos anos, a SBE está se desenvolvendo e vem sendo cada vez utilizada. Alguns fatores colaboram com o crescimento desta área, tais como: o surgimento constante de novas tecnologias em saúde (conceito discutido abaixo), o crescimento e envelhecimento populacional (o que aumenta a demanda pelos serviços de saúde) e a consequente escassez de recursos financeiros.

Como “tecnologia em saúde”, podemos entender qualquer intervenção ou produto na saúde que busque promover a prevenção, tratamento, reabilitação, entre outros fatores de doenças. Nestes, estão incluindo os medicamentos, aparelhos, vacinas, sistemas computacionais, programas em saúde, materiais, ou seja, tudo aquilo que é utilizado para gerar benefício em prol do paciente pode ser chamado de tecnologia em saúde.

Devido ao desenvolvimento constante de novas tecnologias em saúde, se torna impossível incorporar todos esses produtos na saúde pública/privado, sendo necessária a confirmação da efetividade da tecnologia (funcionamento como esperado) e o seu custo-benefício (preço do produto). Haja vista a grande quantidade de produtos disponíveis, se faz necessário apenas incorporar no sistema público/privado, aqueles que realmente oferecem uma melhor relação custo-benefício.

A questão da escassez de recursos está inserida nesse contexto do grande número de tecnologias disponíveis e crescimento da demanda. Dessa forma, se faz necessário economizar os recursos financeiros ao máximo, para que o maior número de pessoas seja beneficiado e que esses recursos também possam ser investidos em outras áreas e doenças.

Dessa forma, a SBE pode ser definida como o uso das melhores informações produzidas pelo meio cientifico, de forma criteriosa, consciente e de boa validade, para aplicação na prática na saúde.

A SBE preconiza que as tomadas de decisões estejam sustentadas em evidências concretas e corretas, buscando diminuir riscos e custos, e aumentar os benefícios. No entanto, não substitui completamente a experiência profissional, a qual também é importante.

Para isso, a SBE utiliza informações das mais variadas fontes. De acordo com o tipo de estudo em que a informação cientifica está inserida, maior ou menor poderá ser a confiança e nível de hierarquia de evidência (Figura 1).

Figura 1. Pirâmide do nível de evidência de acordo com o tipo de estudo. Fonte: Adaptado de Sampaio, 2007.

Veja mais em:  

2 – Estudos primários versus estudos secundários

 De acordo com a figura 1, é possível visualizar que existe uma grande quantidade de tipos de estudo na literatura científica.  Esses estudos podem ser sub classificados em duas categorias: estudos primários e estudos secundários. Os estudos primários incluem aqueles que são originais e inéditos, como por exemplo os ensaios clínicos randomizados. Os estudos secundários, como as revisões sistemáticas, utilizam dados de estudos primários, ou seja, são uma compilação de estudos originais. A tabela 1 apesenta uma divisão entre estudos primários e secundários de acordo com o tipo de estudo.

Nesta aula iremos dar enfoque apenas aos conceitos de estudos primários, de maneira que os estudos secundários serão abordados nas próximas aulas.

Tabela 1. Classificação entre estudos primários e secundários.

Dentre os principais tipos de estudos primários, nós temos os ensaios clínicos como o mais relevante na saúde. Esse estudo pode ser definido como “qualquer forma de experimento planejado que envolve pessoas doentes, e é formulado para determinar o tratamento mais apropriado nos futuros pacientes com a mesma doença” (HOCHMAN, 2005). Geralmente é utilizado para comparar uma nova tecnologia em saúde com uma já existente, com um controle mais rigoroso na condução do estudo. Existe ainda subclassificação dos ensaios clínicos quanto ao randomização e cegamento.

Em relação à randomização, um estudo randomizado significa que os pacientes foram submetidos a uma espécie de “sorteio” para saber qual tecnologia ele irá receber no estudo.  Com isso é possível entender porque os ensaios clínicos possuem um alto nível de evidência, já que possuem um desenho de estudo mais rigoroso, o que diminui a possibilidade de viés.

Entende-se como cego o fato de uma das partes do estudo não saber qual tecnologia o paciente está recebendo, sendo:

  • Triplo cego (quando pacientes, administradores da tecnologia e investigadores não sabem qual tecnologia o paciente irá receber);
  • Duplo cego (geralmente pacientes e administradores são cegos);
  • Cegos (geralmente apenas os pacientes são cegos).

Outro importante tipo de estudo que gera importante resultados na SBE é o estudo de coorte. Este é um tipo de estudo observacional onde os indivíduos são distribuídos como “expostos e não expostos a um fator em estudo, segue-expostos os durante um determinado período de tempo para verificar a incidência de uma doença ou situação clínica entre os expostos e não expostos” (HOCHMAN, 2005, p. 5). Pode ainda ser classificado entre prospectivo ou retrospectivo de acordo como o período de acompanhamento, sendo o primeiro partindo de um ponto até o futuro e o segundo entende-se como de ponto presente para o passado.  Tem como vantagem o maior período de tempo e menor custo comparado a um ensaio clínico, e como desvantagem o fato de estar mais susceptível a vieses.

O estudo de caso-controle “o pesquisador distribui as pessoas como doentes (portadoras de uma situação clínica) e não doentes (não portadoras da situação clínica), verifica, retrospectivamente, se houve exposição prévia a um fator entre os doentes e os não doentes” (HOCHMAN, 2005, p. 5). Possui como vantagens o fato de serem pouco onerosos e rápidos, além de serem úteis para gerar novas hipóteses.

Dentre outros tipos de estudos primários, tem-se o relato de caso, um reporte descritivo de uma situação clínica de um único paciente ou múltiplos pacientes (este último chamado de série de casos), estudo quase-experimental (similar com estudo coorte, porém os pesquisadores aplicam a intervenção aos pacientes, sendo geralmente aplicado em uma clínica) e os testes de acurácia (muito utilizado para desenvolvimento de novos testes diagnósticos).

Os estudos secundários são uma compilação de estudos primários, tendo as revisões sistemáticas e meta-análises, como principais tipos. A revisão sistemática pode ser entendida como uma forma de pesquisa que procura reunir e sintetizar resultados de estudos primários de forma criteriosa, podendo ser utilizada em várias áreas do conhecimento. Dessa forma, procura responder diferentes questionamentos como por exemplo sobre a acurácia de diagnósticos, etiologia fatores de riscos, assuntos epidemiológicos, custo-efetividade e risco-benefícios de terapias. Por outro lado, a meta-análise é entendida como uma avaliação de estudos primários realizada por meio de softwares adequados, e assim aumentam seu poder estatístico.  Uma revisão sistemática de boa qualidade seguida de meta-análise pode apresentar resultados estaticamente significantes e oferecer informações para tomada de decisão na prática clínica. Os estudos secundários serão abordados com mais detalhes nas próximas aulas.

Veja mais em: 

3 – Considerações Finais

A Saúde Baseada em Evidências se mostra importante na geração de evidências científicas e no suporte de tomada de decisões na clínica, e, dessa forma, o conhecimento dessa área se faz necessário para os mais diversos profissionais envolvidos tanto no quesito da elaboração desses estudos quanto para na utilização como evidência.

Para elaboração de uma revisão sistemática, classificado como um tipo de estudo secundário, é necessário prévio conhecimento a respeito dos estudos primários, que a partir do seu desenho que vimos nesta aula podem ser classificados em ensaio clínico, coorte, relato de caso e outros. Nas próximas aulas entraremos em mais detalhes a respeito dos estudos secundários.

Referências bibliográficas

BERWANGER, O; SUZUMURA, E.A.; BUEHLER, A. M.; OLIVEIRA, J. B. Como avaliar criticamente revisões sistemáticas e metanálises? Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 19, n. 4 , p.475-480, 2007.

HIGGINS, J.P.T.; GREEN S. Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions Version 5.1.0 [updated March 2011]. The Cochrane Collaboration, 2011.

HOCHMAN, B.; NAHAS, F. X.; OLIVEIRA FILHO, R. S.; FERREIRA, L. M. Desenhos de pesquisa. Acta Cir. Bras., São Paulo, v. 20, supl. 2, p. 2-9, 2005.

MANCHIKANTI, L.; BENYAMIN, R.M.; HELM, S.; HIRSCH, J. A. Evidence-based medicine, systematic reviews, and guidelines in interventional pain management: part 3: systematic reviews and meta-analyses of randomized trials. Pain Physician, v. 12, n. 1, p.35-72, 2009.

RIERA, R.; ABREU, M. M. D.; CICONELLI, R. M. Revisões sistemáticas e metanálises na reumatologia. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 46, supp. 11 p. 8-11, 2006.

SAMPAIO, R.; MANCINI, M. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Brazilian Journal of Physical Therapy, v. 11, n. 1, p.83-89, 2007.

 

Aula 2Revisão sistemática
Aula 3Aula prática: Bases de dados e software Mendeley
Avaliação (Questionário)
Módulo 2Metaanalises
Aula 4Conceitos e Meta-análises
Aula 5Aula prática: Uso do software Review Manager (meta-análise direta)
Aula 6Aula prática: Uso do software Addis (meta-análise em rede)
Avaliação (Questionário)
Módulo 3Economia em saúde
Aula 7Introdução a economia em saúde e tipos de avaliações econômica em saúde
Avaliação (Questionário)
Avaliação (Final)

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